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Ela e Mais Metade da População

Ela acordou, sabendo que seria apenas mais um dia normal de sua vida cansativa. Mas logo se lembrou dele. Lembrou do sorriso dele e seu sentiu seu peito inchar.
Ela correu atrás dele. O perseguiu. Sabia de tudo sobre ele. Tinha fotos no celular, desconhecidas por qualquer adulto. Ela o amou.
Ela e mais metade da população.
Esperava conhece-lo, esperava casar-se com ele. Esperava que ele a amasse. Oh, difícil realidade na qual era narrada sua história. Puro amor platônico
Mas, com o passar do tempo, seu amor foi deixado no ar. Via os filmes com o tal, e ainda suspirava. Mas nunca como era antes. Oh, doce mídia.
A ilusão que tinha, logo tratou de ser desiludida. Não tinha o mesmo ar de antes, a doce menina apenas fazia seu dever. Amar o que era lhe proposto, ainda ficava brava e dizia que não era isso, e que amava por quem ele era e não por que o havia achado belo.
Sempre confiou em suas palavras. Os dias se tornaram chuvosos, ela acordava e não sentia mais o mesmo aperto no peito. Sabia que era fase, mas, como qualquer adolescente, cumpria seu dever de ser teimosa.
Tempos depois, ligou a TV. Oh, como era bonito, como amava seu jeito de andar, olhar, de ser. O outro. Era agora o novo. Apenas um clone, um boneco atual, um substituto do antigo homem que antes esteve em seu papel.
Ela o perseguiu. Sabia de tudo sobre ele. Ela suspirava. 
Ela o amava.
Ela e mais metade da população.

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